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Poucos produtos financeiros no Brasil despertam tanto ódio, preconceito e desinformação quanto o consórcio. Basta digitar no Google ou assistir alguns vídeos em redes sociais para se deparar com afirmações categóricas como: “consórcio não presta”, “consórcio é furada”, “consórcio é golpe”, “consórcio demora demais”, “consórcio não funciona”. Essas frases são repetidas com convicção quase religiosa, como se fossem verdades absolutas, inquestionáveis e universais.
 

O curioso é que, ao mesmo tempo em que o consórcio é atacado publicamente, ele segue sendo utilizado de forma silenciosa por investidores, empresários, bancos, grandes grupos econômicos e até pelos mesmos “gurus” que o criticam. Essa contradição não é acidental. Ela revela um problema muito maior do que o consórcio em si: o Brasil não aprendeu a diferenciar produto financeiro de estratégia financeira.


Este artigo não foi escrito para convencer quem quer respostas fáceis. Ele foi escrito para quem está disposto a entender, em profundidade, por que o consórcio é um dos instrumentos mais mal compreendidos do país — e por que, quando bem utilizado, pode ser exatamente o que separa endividamento eterno de construção patrimonial real.

Quando alguém afirma que consórcio não presta, raramente está falando do produto em si. Está falando de uma experiência pessoal frustrada, quase sempre baseada em uma expectativa equivocada. O consórcio foi vendido durante décadas como uma solução universal, capaz de atender qualquer pessoa, em qualquer situação, para qualquer objetivo. Esse erro de comunicação criou um terreno fértil para decepções.

  1. Consórcio não é financiamento.

  2. Consórcio não é crédito imediato.

  3. Consórcio não é solução para urgência.

Quando alguém entra em um consórcio esperando rapidez, previsibilidade imediata ou garantia de contemplação em curto prazo, a frustração é inevitável. E no Brasil, frustração raramente vira autocrítica; vira ataque ao produto.

Assim nasce a narrativa de que consórcio é furada.

Vamos ser honestos: para algumas pessoas, o consórcio realmente é uma péssima escolha. Isso não o torna um produto ruim. Torna-o um produto inadequado para determinados perfis.

Consórcio é furada para quem:

  • Precisa do bem imediatamente

  • Não tem disciplina financeira

  • Não aceita regras de grupo

  • Não entende planejamento de médio e longo prazo

  • Confunde consórcio com financiamento sem juros

 

Mas o erro lógico acontece quando essa experiência individual é generalizada. Dizer que “consórcio é furada” porque não funcionou para um perfil específico é como dizer que investir em imóveis não presta porque alguém comprou no lugar errado, na hora errada, sem estudo.

O consórcio não falha. O uso falha.

Poucas frases são tão repetidas quanto “consórcio é golpe” — e poucas são tão injustas. Consórcio é um produto regulamentado pelo Banco Central, com regras claras, contratos rígidos, fiscalização constante e funcionamento matematicamente simples.

O que existe, sim, são:

  • Golpes que usam o nome “consórcio”

  • Vendas enganosas feitas por pessoas mal-intencionadas

  • Promessas irreais feitas por vendedores despreparados

 

Mas isso não transforma o consórcio em golpe, da mesma forma que pirâmides financeiras não transformam investimentos em renda fixa em fraude.

Golpe vive de mentira.
Consórcio vive de regra.

Quem leu o contrato, entendeu o funcionamento e entrou consciente dificilmente dirá que foi enganado. O problema é que educação financeira nunca foi prioridade no Brasil — e produtos que exigem entendimento sofrem.

Essa objeção merece um capítulo inteiro. Sim, o consórcio não é imediato. E isso não é um defeito. É a essência do modelo.

O financiamento resolve o problema do tempo criando um problema maior: o custo do dinheiro. Em um país com juros historicamente altos, financiar significa assumir um compromisso que muitas vezes dobra o valor do bem adquirido.

O consórcio faz o oposto: ele troca velocidade por eficiência financeira. Ele não foi criado para atender urgência, mas para preservar patrimônio.

Quando alguém diz que consórcio demora demais, a pergunta correta é:
demora em relação a quê?


E a que custo?

Consórcio não funciona para quem entra sem plano, sem objetivo e sem entendimento. Ele não foi feito para ser usado no impulso. Foi feito para ser usado como ferramenta estratégica.

Aqui está uma verdade dura:


consórcio exige inteligência financeira.

Exige saber:

  • Qual valor de carta escolher

  • Qual prazo faz sentido

  • Como funcionam lances

  • Como analisar grupos

  • Quando usar recursos próprios

  • Quando esperar

 

Sem isso, o consórcio vira espera.
 

Com isso, o consórcio vira alavancagem.

Existe um padrão curioso no mercado financeiro. Muitos influenciadores que publicamente dizem que consórcio não presta, em privado utilizam consórcio para aquisição de imóveis, planejamento patrimonial e proteção de capital.

Por quê?

 

Porque fora do palco, longe da necessidade de engajamento, eles entendem algo básico:
pagar juros no Brasil é uma das formas mais rápidas de destruir patrimônio.

 

Consórcio não é glamour. É matemática.

Aqui começa a parte que raramente aparece nos vídeos curtos das redes sociais. O consórcio não é apenas um meio de compra. Ele é uma ferramenta de estruturação patrimonial.

Investidores imobiliários experientes usam consórcio para:

  • Comprar imóveis à vista após contemplação

  • Negociar descontos significativos

  • Evitar juros bancários

  • Manter liquidez

  • Planejar aquisições futuras

 

Enquanto muitos discutem se consórcio funciona, outros estão usando o produto para adquirir ativos reais, gerar renda e aumentar patrimônio.

Imagine dois brasileiros médios, com renda semelhante. Um financia um imóvel. O outro entra em um consórcio imobiliário. Ao final de 20 ou 30 anos, a diferença patrimonial entre eles não é pequena — é brutal.

O financiamento cobra juros compostos.


O consórcio cobra planejamento.

Quem entende isso cedo, muda o jogo.

O cenário econômico atual não é neutro. Juros elevados, crédito caro e instabilidade tornaram o financiamento um instrumento cada vez mais agressivo ao patrimônio das famílias.

Não por acaso, bancos tradicionais, bancos digitais e até instituições de investimento passaram a enxergar o consórcio com outros olhos. Hoje, o consórcio é tratado não apenas como produto de consumo, mas como instrumento financeiro de longo prazo.

Quando até o sistema bancário muda de postura, insistir que consórcio não funciona passa a ser mais ideológico do que racional.

Essa frase resume tudo:

Consórcio não é milagre.
Consórcio não é rápido.
Consórcio não é para todos.

Mas quando usado corretamente, ele:

  • Reduz custos financeiros

  • Evita juros abusivos

  • Permite planejamento real

  • Ajuda a construir patrimônio

  • Dá previsibilidade de longo prazo

Um dos maiores problemas do debate sobre consórcio é a comparação simplista com financiamento. Normalmente ela acontece assim:


“no financiamento eu pego o bem na hora, no consórcio eu tenho que esperar, então consórcio não funciona”.

Essa comparação ignora completamente o fator mais importante de qualquer decisão financeira: o custo total do dinheiro no tempo.

No financiamento, o banco antecipa o bem e cobra por isso. E cobra caro. Em muitos casos, o consumidor termina pagando o equivalente a dois bens para ficar com um. Isso não é força de expressão, é matemática financeira básica aplicada aos juros compostos.

No consórcio, não existe antecipação forçada. Existe planejamento coletivo. O grupo se autofinancia. Isso elimina o principal vilão da vida financeira do brasileiro: os juros.

Quando alguém diz que “consórcio demora demais”, na prática está dizendo:


“eu prefiro pagar muito mais para não esperar”.

Essa escolha pode ser legítima. Mas não pode ser vendida como inteligência financeira.

Existe um fator psicológico e cultural que quase nunca é abordado: o brasileiro foi treinado a valorizar imediatismo e normalizar juros abusivos.

Parcelar virou sinônimo de poder de compra.
Pagar juros virou algo “normal”.
Esperar virou sinônimo de fracasso.

Nesse contexto, o consórcio sofre porque ele exige exatamente o oposto:

  • Paciência

  • Planejamento

  • Disciplina

  • Visão de longo prazo

Não é que o consórcio não presta.
É que ele entra em conflito com a cultura do endividamento.

Aqui está uma verdade dura, mas libertadora:
se você vive constantemente em urgência financeira, o consórcio não é o problema — o problema é a estrutura da sua vida financeira.

Consórcio é ferramenta de quem:

  • Planeja

  • Antecipadamente organiza renda

  • Pensa em ciclos de vida

  • Entende que patrimônio se constrói no tempo

Quem vive apagando incêndio financeiro dificilmente conseguirá usar consórcio corretamente. E isso explica por que tantas pessoas afirmam que “consórcio é furada”.

Não é. Ele apenas não resolve caos financeiro.

Existe uma linha invisível que separa dois grupos de pessoas:

Grupo 1

  • Reclama que consórcio não funciona

  • Odeia esperar

  • Paga juros constantemente

  • Vive trocando dívida

Grupo 2

  • Usa consórcio como estratégia

  • Planeja aquisições

  • Evita juros

  • Acumula ativos

O produto é o mesmo.
O resultado é completamente diferente.

Isso prova que o problema não está no consórcio, mas no modelo mental de quem o utiliza.

Enquanto muita gente debate se consórcio presta ou não, existe um grupo que simplesmente usa o produto — em silêncio — para crescer financeiramente.

Esse grupo entende algo essencial:
riqueza raramente é construída no barulho.

Consórcio não aparece em vídeos motivacionais.
Não gera prints chamativos.
Não promete dinheiro rápido.

Mas permite algo muito mais poderoso: aquisição de ativos sem juros.

No longo prazo, isso muda tudo.

No mercado imobiliário, o consórcio é visto de forma muito diferente do senso comum. Investidores experientes entendem que ele pode ser usado como:

  • Ferramenta de compra planejada

  • Reserva de capital direcionada

  • Instrumento de negociação à vista

  • Mecanismo de diversificação patrimonial

Ao ser contemplado, o investidor não apenas compra o imóvel. Ele entra na negociação como comprador à vista, o que frequentemente resulta em descontos relevantes, algo impossível para quem financia.

Enquanto o financiamento enfraquece o poder de barganha, o consórcio o fortalece.

Quando se fala em alavancagem, muita gente pensa imediatamente em dívida. Mas existe um tipo de alavancagem muito mais saudável: a alavancagem sem juros.

O consórcio permite:

  • Planejar compras futuras

  • Usar capital próprio de forma estratégica

  • Acessar bens de alto valor sem se submeter a juros

Essa lógica é utilizada por pessoas que entendem que dívida não é sinônimo de crescimento. Em muitos casos, é o oposto.

Esse é um dos preconceitos mais injustos e menos verdadeiros.

Na prática, quem mais usa consórcio de forma estratégica são pessoas que:

  • Têm renda previsível

  • Já possuem patrimônio

  • Pensam em longo prazo

  • Querem preservar capital

Ricos não odeiam consórcio.
Eles odeiam juros.

O consórcio, quando bem usado, é uma forma de proteger dinheiro, não de compensar falta dele.

Um exemplo extremamente prático e pouco discutido é o uso do consórcio para troca periódica de veículos.

Em vez de financiar sucessivamente, pagando juros a cada troca, muitas pessoas entram em ciclos de consórcio:

  • Planejam a próxima troca

  • Usam a carta como pagamento à vista

  • Vendem o veículo anterior

  • Evitam juros constantemente

Ao longo de 15 ou 20 anos, a diferença financeira entre quem financia e quem usa consórcio é enorme.

Isso não aparece em vídeos curtos.
Mas aparece no patrimônio final.

Esse é um dos sinais mais claros de que o discurso “consórcio não presta” está desconectado da realidade.

Instituições financeiras não mudam de postura por simpatia. Elas mudam por:

  • Rentabilidade

  • Sustentabilidade

  • Redução de risco

O consórcio tem:

  • Menor inadimplência

  • Cliente mais fiel

  • Menor risco sistêmico

Por isso, hoje ele é tratado como produto financeiro sério, inclusive em ambientes de investimento.

Quando se tira o consórcio do campo emocional e se coloca no campo estratégico, ele se revela um dos instrumentos mais interessantes disponíveis ao brasileiro médio.

Ele permite:

  • Planejar grandes aquisições

  • Evitar endividamento predatório

  • Criar disciplina financeira

  • Transformar renda em patrimônio

Não é coincidência que ele seja cada vez mais utilizado por quem pensa em liberdade financeira real, não apenas em consumo.

Consórcio não é atalho.
E quem tenta usá-lo assim, se frustra.

Ele é:

  • Caminho consistente

  • Estratégia estruturada

  • Ferramenta de médio e longo prazo

Quando entendido dessa forma, a narrativa muda completamente.

Talvez a pergunta correta nunca tenha sido se consórcio é bom ou ruim.

Talvez a pergunta correta seja:
por que o brasileiro foi ensinado a aceitar juros, mas não foi ensinado a planejar?

Enquanto essa resposta não for encarada, o consórcio continuará sendo atacado por quem nunca o entendeu — e usado com sucesso por quem entende.

Depois de atravessar todas as objeções — “consórcio não presta”, “consórcio é furada”, “consórcio é golpe”, “consórcio demora demais”, “consórcio não funciona” — fica claro que nenhuma delas se sustenta quando analisada com profundidade.

O consórcio:

  • Não é golpe

  • Não é furada

  • Não é inútil

  • Não é lento por defeito

  • Não deixa de funcionar

Ele apenas exige consciência, estratégia e planejamento.

Em um país de juros altos, crédito caro e instabilidade econômica, ignorar o consórcio é abrir mão de uma das poucas ferramentas que permitem crescer sem enriquecer bancos.

O consórcio não muda a vida de quem entra sem entender.
Mas transforma a vida de quem usa com estratégia.

E essa é a diferença entre quem passa a vida dizendo que consórcio não presta — e quem constrói patrimônio em silêncio.

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